NECESSIDADES
Quando o Mulá saiu da mesquita após as orações, um mendigo
sentado na rua lhe pediu uma esmola. Ocorreu a seguinte conversa:
Mulá: “Você é esbanjador?”.
Mendigo: “Sim, Mulá”.
Mulá: “Você gosta de vadiar por aí, tomar café e fumar?”.
Mendigo: “Sim”.
Mulá: “Suponho que você gosta de ir à casa de banho todos
os dias...”.
Mendigo: “Sim”.
Mulá: “… e de se divertir, inclusive bebendo com os amigos?”.
Mendigo: “Sim, eu gosto de todas essas coisas”.
“Tsc, tsc, tsc”, murmurou o Mulá, e lhe deu uma moeda de
ouro.
Alguns metros mais à frente, outro mendigo que havia escutado a conversa implorou por uma esmola.
Mulá: “Você é esbanjador?”.
Mendigo: “Não, Mulá”.
Mulá: “Você gosta de vadiar por aí, tomar café e fumar?”.
Mendigo: “Não”.
Mulá: “Suponho que você gosta de ir à casa de banho todos
os dias…”.
Mendigo: “Não”.
Mulá:
“… e de se divertir, inclusive bebendo com os amigos?”.
Mendigo: “Não, eu quero apenas viver frugalmente e rezar”.
Ao que o Mulá lhe deu uma pequena moeda de cobre.
“Mas, por que”, queixou-se o mendigo, “você dá, a mim, um
homem econômico e devoto, um trocado, enquanto dá àquele
sujeito extravagante uma moeda de ouro?”
“Ah”, respondeu o Mulá, “as necessidades dele são maiores
que as suas.”
Idres Shah (AS SUTILEZAS DO INIMITÁVEL
MULÁ NASRUDIN ed. Tabla)
Médico Escolar Dr. José Carlos Machado
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