PRESTA ATENÇÃO NO QUE VOCÊ FEZ!
Uma cena
comum: a criança deixa cair algum objeto no chão, por desatenção, inabilidade,
distração, divagação, seja o que for e ouve a reprimenda: - Presta atenção no
que você está fazendo! Às vezes revestido de uma explicação: - Parece até que
tem duas mãos esquerdas! E uma previsão: - Você é muito desajeitado! E sim,
essa prognose pode realmente acontecer porque essa criança acreditará que
realmente é desastrada. Como se opor a uma determinação desse tipo, um
vaticínio repetido muitas vezes durante os inúmeros equívocos que não foram
poupados de críticas deixando evidente que a criança “não faz nada direito”.
E assim desse
modo, talvez não intencional, mas lesivo do mesmo modo, vai se construindo esse
“falso self” em que a criança vai formando a imagem deturpada de ser
canhestra, inábil e não conseguir realizar algumas tarefas à contento de seus
algozes a quem essa afirmação deveria ser dirigida: - Presta atenção no que
você faz quando fala essas bobagens à criança!
A criança
ainda não tem repertório psíquico suficiente para neutralizar as afirmações nem
sempre incentivadoras de seus condutores, principalmente se forem seus pais,
cuja fala tem um enorme poder. Aprende então, pela repetição e até pela aceitação
de que realmente ela é desajeitada, esquisita, desastrada, distraída e por aí
afora. Mas se entende que não faça nada direito, como encontrar um lugar no
mundo que a acolha e que possa realizar algum trabalho?
Muitas falas
podem ser extremamente cruéis, nem todas são premeditadas ou intencionais, mas
não diminuem o grande poder destrutivo que acabam fazendo na cabeça das
crianças. Muitos pais se justificam: - Não quis dizer aquilo! – Estava nervoso
e saiu... – Meu filho sabe que eu gosto dele... Pois é, o fato de não querer
dizer isso ou aquilo não impediu a fala atravessada ou ataques de fúria e
nervosismo causam sim muitos temores e, às vezes, ficam permeados na memória
durante anos.
Na memória
infantil ficam guardadas experiências significativas e marcantes,
especialmente aquelas carregadas de emoção e afeto. O que mais permanece
são as relações, as brincadeiras, as descobertas, os momentos de conexão com os
cuidadores e o ambiente em que a criança está inserida. Cheiros, sons e sabores
associados a momentos felizes, as relações afetivas que estabeleceram com
outras pessoas, incluindo a forma com que foram tratados e como sentiram essas
interações, viagens, festas, momentos marcantes e pequenas situações do
cotidiano que ficaram gravadas na memória.
Mas, também
existem as lembranças ruins do passado que podem ser perturbadoras e
impactar negativamente o presente. Lembranças ruins podem variar
desde pequenos momentos constrangedores até experiências traumáticas. Elas
podem ser desencadeadas por eventos específicos ou surgir de forma espontânea,
afetando o bem-estar emocional e mental. Isso acontece porque o cérebro
tende a dar mais destaque às experiências negativas, pois elas são vistas como
ameaças potenciais que precisam ser lembradas para evitar que se repitam, uma
espécie de auto preservação. No entanto, essa tendência pode gerar
sofrimento e ansiedade, especialmente quando as lembranças são muito fortes ou
recorrentes.
Deveríamos ter
consciência disso a fim de selecionar aquilo que falamos de maneira irrefletida
e descompromissada, pois, certamente vai gerar consequências nem sempre
superficiais, ao contrário, bastante perturbadoras.
Prestar atenção
no que se fez, seja na fala como na atitude serve para o condutor do mesmo modo
que para o conduzido. É natural que a criança erre, todos erramos de alguma
forma, se adultos conseguimos alguma proeza em alguma coisa, foi, justamente
porque erramos muitas vezes até conseguir lograr êxito, que muitas vezes é
temporário exigindo novo esforço e novo aprendizado. Por exemplo, em relação ao
uso da mídia eletrônica. Exceto os nativos digitais (geração Z, nascidos a
partir de meados da década de 1990 e a geração Alpha, nascidos após 2010), que
possuem uma fluência digital, com muita facilidade e familiaridade com
tecnologias digitais, usando-as intuitivamente em diversas atividades, uma
parcela imensa da sociedade teve de aprender manusear aparelhos e teclados para
sobreviver minimamente em uma época que esse domínio se tornou necessidade. Os
chamados migrantes digitais, sofrem com isso, mas tiveram de se adaptar, erram
e persistem, conseguindo, mesmo que precariamente, fazer parte desse “novo
mundo”. Mesmo os “deficientes virtuais” aqueles que pedem ajuda para ligar a TV
ou se atrapalham com o teclado dos smartphones, sobrevivem de algum
modo. Reclamam e tem saudade de outros tempos, erram e acabam aprendendo.
Então, porque
as crianças também não podem errar sem receber as críticas e as definições de
que precisam prestar atenção naquilo que fazem, sim, certamente é importante ficar
atento e se esmerar em fazer bem feito, a superar suas dificuldades, mas com
incentivo e apoio e não com desprezo e descrença. Falar para a criança que ela
poderá se esforçar mais para conseguir um melhor desempenho é diferente de
julgá-la e classifica-la como inábil e desastrada, assim como os mais velhos tiveram
de se esforçar para adquirir desempenho em novas habilidades, errando e
insistindo as crianças precisam desse mesmo incentivo. Não tem como conseguir
um resultado pleno sem repetição, treino erro e correção. Faz parte da vida. É Preciso
prestar atenção a isso.
Dr. José Carlos Machado.
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