Pesquisar este blog

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

BULLYING (artigo)






BULLYING


Uma prática muito disseminada causando grandes conflitos nas escolas é o 'bullyng" cujo conceito pode ser definido como sendo uma ação repetitiva de atos de violência física ou psicológica, como intimidação, humilhação, apelidos pejorativos e exclusão social, ocorrendo intencionalmente por um desequilíbrio de poder, comumente presente no ambiente escolar.
Pode causar danos graves ao bem-estar emocional, psicológico e físico, podendo ainda evoluir para depressão, isolamento social, ansiedade, baixo estima, queda no desempenho escolar e causar transtornos de estresse pós-traumático. O bullying pode ser verbal (através de insultos e apelidos pejorativos), físico (agressões), material (roubo/destruição de pertences) ou social (exclusão, boatos, difamações). O chamado Cyberbullying é quando a agressão é de forma virtual via redes sociais e celulares, caracterizada pela rápida propagação e garantia do anonimato do agressor, prática essa extremamente praticada atualmente, independente da faixa etária.
  • Já existe desde 2015 uma lei que combate essa prática (lei Nº 13.185/2015) que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, e outra mais recente de 2024 (lei 14.811/2024) que incluiu o bullying e cyberbullying no Código Penal, tornando-os crime.
  • Talvez muitos de nós já tenhamos sofrido em alguma parte de nossa vida assédios desse tipo, que também causaram danos em vários graus e que alguns classificam como "inofensivos" que fazem parte da vida comum. A banalização dessa atitude não colabora em sua eliminação, o problema é que existe algo por trás dessa atitude que mescla preconceito, perversidade e poder, pois quem faz bullying exerce um domínio sobre a sua vítima que geralmente é indefesa e não consegue reagir diante desses ataques. Crianças não possuem ainda um repertório psíquico que as proteja ou que consigam neutralizar esses abusos.
  • Um apelido, alguma diversidade ou uma particularidade escondida geralmente são os mais comuns, então, se referir àquela criança com sobrepeso como "baleia ou elefante" e o clássico "quatro-olhos" para os que usam óculos, com inocente aparência de brincadeira pode incomodar muito aquele que ouve esse comentário.
  • A justificativa comum é que não era para ofender, apenas uma brincadeira, quiçá algo carinhoso, sem intenção de insultar ou magoar ninguém, mas justamente aí é que está o problema, pois, machuca, incomoda e deixa marcas. 
  • Somos um país de mestiços. Uma grande parcela da população tem ancestrais próximos (avós) provenientes de outras partes do mundo e nessa miscigenação, nesse grande caldo de culturas que é formado o povo brasileiro, temos presentes em nossa herança genética um pouco de cada canto da Terra, sangue branco, negro, índio, portanto é absolutamente um absurdo em pleno século XXI termos um preconceito tão grande em relação à cor da pele e essa é uma das maiores agressões verbais e físicas que sofrem muitas pessoas, crianças e adultos. 
  • O que podemos fazer além de nos lamentarmos em relação ao bullying e ao preconceito? Conversar e refletir sobre esse assunto com pais e professores pode ser uma boa estratégia, mas, sobretudo uma ação mais efetiva poderá transformar atitudes como essa.
  • As crianças convivem com as diversidades de uma maneira mais fluída do que os adultos, não importa a cor da pele, credo ou classe social, crianças são crianças. No entanto, seus pais podem encontrar resistência em aceitar outras variedades que não se enquadram em seus padrões e isso pode transformar a própria reação dos filhos que passam a repetir a mesma distinção que os adultos estabelecem e pronto, o pré-conceito se estabelece e o processo continua. Padrões repetidos sem reflexão tornam-se rígidos e estabelecem comportamentos muitas vezes inflexíveis.
  • Nos conflitos escolares dentro das escolas a primeira tarefa é estabelecer uma lógica clara: "nessa escola todos são iguais", mas para que essa regra seja honesta e verdadeira é de suma importância que seus representantes reflitam sobre isso e ajam de acordo. Discursos politicamente corretos, como são proclamados por aqueles que gostam de chamar atenção ao associarem a sua imagem a uma pessoa idônea, são na maioria das vezes, vazios de conteúdo e sem veracidade, pois ao abrirmos mão de nossas verdades absolutas e, portanto, admitirmos que nossas concepções podem estar equivocadas, também precisaremos de coragem para sustentá-las. Não adianta ficarmos chocados com a discriminação racial e interiormente nos considerarmos superiores levando em conta a cor da pele ou classe social. A reflexão passa por esse viés.
  • O que me qualifica para ser representante de uma hierarquia superior onde as minhas opções em referência, incluindo opções sexuais e de credo diferentes das minhas, me autorizam a classificar os demais de forma discriminada e inferior?
  • Enquanto não refletirmos sobre isso, com a seriedade e a dificuldade que isso implica será difícil mudar esse quadro.
  • Quando desde cedo explicamos às crianças que em nossa casa, como família, respeitamos a cor da pele, o credo, a opção sexual e as possíveis diferenças dos outros, simplesmente porque somos todos humanos e , necessariamente, cada um a seu modo é mesmo um pouco diferente e isso é comum, melhores pessoas estaremos formando.
  • Então, mesmo a passos pequenos, estaremos, dentro de nosso quadrado, construindo uma sociedade mais ampla e acolhedora, onde todos possam co-existir a despeito de suas múltiplas diferenças, porque todos temos espaço nesse mundo e somos todos absolutamente humanos e semelhantes.
  •    






Médico na Escola Dr José Carlos Machado www.mediconaescola.com,  Acompanhe também nosso canal no You Tube - https://www.youtube.com/user/medicinaescolar. Instagram - @antroposofiaemdia

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Médico na Escola
Dr José Carlos Machado
www.mediconaescola.com

Acompanhe tampem nosso canal no You Tube! https://www.youtube.com/user/medicinaescolar