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domingo, 1 de março de 2026

SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA - resenha de filme






SE EU TIVESSE PERNAS, EU TE CHUTARIA


Título original - If I Had Legs I'd Kick You
Direção - Mary Bronstein
Roteiro - Mary Bronstein
Elenco: Rose Byrne, Helen Hong, Josh Pais, Mary Bronstein, Christian Slater, Conan O'Brien, A$AP Rocky, Delaney Quinn
Drama
2026
01h:53m

Linda (Rose Byrne) é uma mãe à beira de um colapso. Praticamente mãe solo de uma menina doente, a psicóloga Linda é obrigada a navegar uma crise atrás da outra quando cai o teto do seu apartamento,  graças a um vazamento enorme de água no andar superior. Com a vida desmoronando (literal e metaforicamente), ela busca socorro de todos os lados, mas ninguém parece estar realmente interessado ou ser capaz de ajudá-la. Agora, morando num motel com sua filha, enquanto aguarda o conserto de sua casa, precisa encontrar um jeito de resolver o buraco em seu telhado, a doença misteriosa da sua criança (ligado a um raro transtorno alimentar), o arranjo de estacionamento irritante da escola da filha  e um paciente desaparecido.

Durante as quase 2h de duração de Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria, dificilmente a câmera da diretora se afasta muito do rosto de sua protagonista que recebeu o prêmio de melhor atriz (Globo de Ouro, 2026) por sua brilhante interpretação.

A médica que acompanha a filha, Dra. Spring (personagem vivido pela própria diretora do filme) não poupa Linda com cobranças e recriminações.

O pior é que ninguém parece realmente disposto a ajudá-la, muito menos os homens ao seu redor. O marido (Christian Slater), pai da criança, só ouvimos ao telefone - ele trabalha em um cruzeiro e não está presente no dia-a-dia da família, além das cobranças domésticas; seu terapeuta, outro psiquiatra vivido por (um excelente) Conan O’Brien, desde o início não acolhe suas angústias, ao contrário tenta se afastar da personagem que solicita sua ajuda.

Acontece que eles, como outras figuras masculinas na vida de Linda (um novo vizinho interpretado por A$AP Rocky entra rapidamente nesse rol), também gostam do sentimento de satisfação que vem de posar como o “resolvedor de problemas” na vida dessa mulher com uma dinâmica muito complicada. O que fazem, para isso, é entrar em cena quando a situação já passou do ponto do desespero e agir como se cada mero movimento que fazem na direção da conveniência de Linda fosse um grande ato de altruísmo. E ela entra nesse jogo repetidamente, diante da corrida de obstáculos hostil e solitária em que se transformou sua vida. Parece que Linda vai entrar em colapso a qualquer instante e assim Bronstein estabelece a sua abordagem claustrofóbica, focada em colocar o espectador na ótica de uma mulher no seu limite que a cada cena parece que irá desmoronar, apresentando um retrato impiedoso do isolamento e da volatilidade do ser mãe, das pressões sociais que, por sua vez, criam ansiedades e medos. A aparição do rosto criança não é revelada até a última cena, somente sua voz, um recurso adicional para que a mãe seja o personagem principal.

Um filme sensível e delicado que retrata o sofrimento e a batalha de uma mãe que tenta resolver seus muitos problemas e conflitos absolutamente sozinha.

scapar, pela boca amarga de quem está os reprimindo, esses medos são seguidos por olhares de desaprovação, movimentos de desvencilhamento, e portanto ainda mais isolamento. É um ciclo vicioso que vai girando e girando na direção de um desastre anunciado, mas nem por isso noMédico Escolar Dr. José Carlos Machado www.mediconaescola.com - Acompanhe também nosso canal no You Tube - https://www.youtube.com/user/medicinaescolar e no instagram @antroposofiaemdia

O FILHO DE MIL HOMENS - filme (resenha)











O FILHO DE MIL HOMENS

Diretor - Daniel Rezende
Roteiro - Valter Hugo Mãe e Duda Casoni
Elenco:
Rodrigo Santono, Miguel Martines, Johnny Massaro, Rebeca Jamir, Ignez Viana
Duração - 02h:06m
2025


Crisóstomo (Rodrigo Santoro) é um pescador solitário que tem o sonho de ter um filho, carrega dentro de si a culpa de aos 40 anos ainda não ter conseguido realizar esse sonho. Sua vida muda quando ele encontra Camilo (Miguel Martines), um menino órfão de 12 anos de idade que decide acolher. Logo eles iniciam uma jornada em formar uma família nada convencional quando uma mulher cruza o caminho dos dois, Isaura (Rebeca Jamir) tentando fugir de sua própria dor encontrando amparo e ternura naquela casa, em seguida, Antonino (Johnny Massaro), um jovem incompreendido, também se conecta com eles. Juntos, os quatro aprendem o significado de família e o propósito de compartilhar a vida.
Muitas vezes a obra literária não tem o mesmo impacto quando surge sua versão nas telas, nesse caso o filme manteve o lirismo e a força dos personagens, cujos atores interpretaram de maneira sensível e delicada a trama dessa história belíssima que merece ser assistida.
Leia também nesse blog a resenha desse livro escrito por Valter Hugo Mãe quem também colaborou com o roteiro do filme.




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