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terça-feira, 15 de setembro de 2026







FÁTIMA, a fiandeira - conto grego


Numa cidade do mais longínqüo Ocidente vivia uma jovem chamada Fátima, filha única de um próspero Fiandeiro. Um dia seu pai lhe disse:
— Filha, faremos uma viagem, pois tenho negócios a resolver nas ilhas do Mediterrâneo. Talvez você encontre por lá um jovem atraente, de bom coração, e de boa posição, com quem possa então se casar. Iniciaram assim sua viagem, indo de ilha em ilha; o pai cuidando de seus negócios, Fátima sonhando com o homem que poderia vir a ser seu marido.
Mas um dia, quando se dirigiam a Creta, armou-se uma tempestade e mesmo sendo marinheiros muito experientes não conseguiram evitar que o barco naufragasse. Fátima, semiconsciente, foi arrastada pelas ondas até uma praia perto de Alexandria. Toda a tripulação morreu, inclusive seu pai e ela ficou inteiramente desamparada. 
Podia recordar-se apenas vagamente de sua vida até aquele momento, pois a experiência do naufrágio e o fato de ter ficado exposta às inclemências do mar a tinham deixado completamente exausta e aturdida. Enquanto vagava pela praia, uma família de tecelões a encontrou. Embora fossem pobres, se apiedaram daquela jovem e levaram-na para sua humilde casa e ensinaram-lhe seu ofício.
Desse modo Fátima iniciou nova vida e, em um ou dois anos, voltou a ser feliz, reconciliada com sua sorte. Porém um dia, quando estava na praia, passeando distraída, um bando de piratas, mercadores de escravos desembarcou e levou-a, junto com outros cativos. Apesar dela se lamentar amargamente de seu destino, eles não demonstraram nenhuma compaixão, levaram-na para Istambul e venderam-na como escrava. Pela segunda vez o mundo da jovem ruíra.
Mas quis a sorte que no mercado houvesse poucos compradores na ocasião. Um deles era um homem que procurava escravos para trabalhar em sua serraria, onde fabricava mastros para embarcações.  Ao perceber o ar desolado e o abatimento de Fátima, decidiu comprá-la, pensando que poderia proporcionar-lhe uma vida um pouco melhor do que teria nas mãos de outro comprador. Ele levou Fátima para casa com a intenção de fazer dela uma criada para sua esposa. Mas ao chegar em casa soube que tinha perdido todo o seu dinheiro quando um carregamento fora capturado por piratas. Não poderia enfrentar as despesas que lhe davam os empregados, e assim ele, Fátima e sua mulher arcaram sozinhos com a pesada tarefa de fabricar mastros. Fátima, grata ao seu patrão por tê-la resgatado, trabalhou tanto e tão bem que ele lhe deu a liberdade, e ela passou a ser sua ajudante de confiança e em pouco tempo conseguiram recuperar toda a fortuna. Assim ela chegou a ser relativamente feliz em sua terceira profissão.
Um dia ele lhe disse: — Fátima, quero que vá a Java, como minha representante, com um carregamento de mastros; procure vendê-los com lucro.
Ela então partiu. Mas quando o barco estava na altura da costa chinesa, vocês podem não acreditar, mas novamente um tufão apareceu em seu destino e fez a embarcação e toda sua carga naufragar próximo da China. Mais uma vez Fátima se viu jogada como náufraga em uma praia de um pais desconhecido. De novo chorou amargamente, porque sentia que nada em sua vida acontecia como esperava. Sempre que tudo parecia andar bem alguma coisa acontecia e destruía suas esperanças.
— Por que será — perguntou pela terceira vez — que sempre que tento fazer alguma coisa não da certo? Por que devo passar por tantas desgraças?
Como não obteve respostas, levantou-se da areia e afastou-se da praia.
Acontece que na China ninguém tinha ouvido falar de Fátima ou de seus problemas. Mas existia uma lenda de que um dia chegaria certa mulher estrangeira capaz de fazer uma tenda para o imperador. Como naquela época não existia ninguém na China que soubesse fazer tendas, todo mundo aguardava com ansiedade o cumprimento da profecia. Para ter certeza de que a estrangeira ao chegar não passaria despercebida, uma vez por ano os sucessivos imperadores da China costumavam mandar seus mensageiros a todas as cidades e aldeias do país pedindo que toda mulher estrangeira fosse levada à corte. Exatamente numa dessas ocasiões, esgotada, Fátima chegou a uma cidade costeira da China. Os habitantes do lugar falaram com ela através de um intérprete e explicaram-lhe que devia ir à presença do imperador.
— Senhora — disse o imperador quando Fátima foi levada até ele — sabe fabricar uma tenda?
— Acho que sim, Majestade — respondeu a jovem.
- O que será necessário para realizar essa tarefa? 
gratidaoFátima então pediu cordas, mas nenhuma das que foram apresentadas lhe agradaram. Lembrando-se dos seus tempos de fiandeira, Fátima colheu linho e fez as cordas. 
Depois pediu um tecido resistente, mas nenhum apresentado pelos servos reais tinham a textura desejada. Então, utilizando sua experiência com os tecelões de Alexandria, fabricou um tecido forte, próprio para tendas. 
Agora, precisava de de estacas para a tenda, mas não existiam no país nenhuma que lhe agradasse. Lembrando-se do que lhe ensinara o fabricante de mastros em Istambul, Fátima fabricou umas estacas firmes.
Quando finalmente todos os materiais estavam prontos ela puxou de novo pela memória, procurando lembrar-se de todas as tendas que tinha visto em suas viagens. E uma belíssima tenda foi construída.
Quando a maravilha foi mostrada ao imperador da China ele se prontificou a satisfazer qualquer desejo que Fátima expressasse, pois ela tinha realizado a profecia. Escolheu morar na China, onde se casou com um belo príncipe e, rodeada por seus filhos, viveu muito feliz até o fim de seus dias.
Através dessas aventuras Fátima compreendeu que, o que em cada ocasião lhe tinha parecido ser uma experiência desagradável, acabou sendo parte essencial de sua felicidade e sempre contava essa história para seus filhos
Extraído de ‘Histórias dos Dervixes‘, Idries Shah, Nova Fronteira 1976






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BOA NOITE, BO - resenha de livro

Kjersti Annesdatter Skomsvold e Mari Kanstad Johsen
Tradução - Fernanda Sarmatz Akesson
Ed. Baião - São Paulo - 2026

Bo é uma criança que reluta para dormir, à noite ele dá cambalhotas no sofá e canta o mais alto que pode e sua mãe o acompanha nessas aventuras quando o menino diz que é um papagaio, um urso, uma girafa e desse modo a criança vai criando suas fantasias acolhida pela mãe até ele dormir.
Esse é um livro para contar para a criança de noite na hora de dormir.
As ilustrações de Mari Johnsen mostram a rotina da casa e o universo da criança e o texto simples e compreensível mostra uma criança esperta e uma mãe paciente e cuidadosa e principalmente acolhedora com a imaginação do seu filho Bo. 










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