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sexta-feira, 29 de novembro de 2013

OS QUATRO ANJOS DO ADVENTO - lenda russa





OS QUATRO ANJOS DO ADVENTO
Lenda Russa


Há muito tempo atrás, os homens viviam no mundo, mas não sabiam construir casa, nem plantar e cuidar da terra. Viviam em cavernas onde era escuro, pois não tinham luz para iluminar e eles viviam escondidos dentro dessas cavernas grande parte do tempo.
Deus, então, chamou os Anjos para que trouxessem luz aos quatro cantos do mundo, ajudassem os homens a sair da escuridão e avisassem a eles que o filho de Deus iria chegar à Terra.
O primeiro Anjo tinha as asas azuis. Foi iluminar as cavernas e as grutas com um raio de luz que o Sol lhe deu. Foi com esse raio de luz que ajudou aos anões a fazerem as pedras preciosas coloridas. Esse Anjo trouxe também a chuva que lavou as pedras.encheu os lagos e fez os rios correrem mais depressa.
O segundo Anjo tinha as asas verdes, saiu do céu bem cedinho, mas como voava devagar, chegou na Terra somente ao entardecer. O Raio de luz que esse Anjo trouxe deu cor e perfume às plantas. Ele também ensinou os homens a plantar e a deixar a terra preparada para cultivar as sementes.
O terceiro Anjo tinha as asas amarelas. Ele foi até o Sol e o recebeu de presente um raio de luz amarelo brilhante para que o trouxesse até à Terra.
Quando o Anjo estava se aproximando, os animais viram aquela luz e ficaram admirados. O Anjo então explicou que iria nascer dentro em breve uma criança muito especial e que todos deveriam se preparar para recebê-la. Os pássaros começaram a cantar lindas melodias, as borboletas coloriram suas asas, os animais comentavam uns com os outros sobre a novidade e o vento espalhou a notícia por todos os cantos do mundo.
O quarto Anjo tinha as asas vermelhas. Ele queria tanto ajudar os homens que foi logo falar com Deus, nem esperou para ser chamado por Ele. Então, Deus, tirou de seu trono um feixe de luz e disse ao Anjo que ele colocasse aquela luz dentro do coração de cada homem, de cada mulher e de cada criança da Terra, porque já estava bem perto o dia em que a criança especial iria nascer.
E por isso é que até hoje acendemos as quatro velas na coroa do advento, uma para cada Anjo e com cores diferentes simbolizando as cores de suas asas, para lembrar deles que nos avisaram do nascimento do filho de Deus. 




sexta-feira, 4 de outubro de 2013

REI DOS PÁSSAROS - conto






O REI DOS PÁSSAROS
conto indiano

No primeiro ciclo de histórias do mundo, as criaturas de quatro pernas escolheram o leão como rei, os peixes escolheram Ananda, o peixe-monstro e os pássaros escolheram o pato selvagem dourado.
O pato dourado sempre demonstrou sabedoria, liderança e humildade. Ele tinha uma filha que era muito bonita e tinha o amor e a dedicação de seu pai.
A filha pediu ao pai que permitisse que ela mesma escolhesse o seu marido, ele concordou e convocou todos os pássaros a comparecessem a um alto platô no Himalaia para que sua filha pudesse fazer a sua escolha. Todos os pássaros atenderam a convocação de seu rei e compareceram ao seu encontro.
Quando a filha do rei examinava a grande reunião de pássaros, seus olhos foram atraídos pela beleza multimatizada e tremeluzente do pavão e disse ao seu pai: "Este será o meu marido!"
Ao ouvir isso, o pavão ficou cheio de orgulho e vaidade.
Começou a dançar e saltar; abriu suas asas e sua cauda magnífica, se exibindo para todos.
O pato rei declarou: "Este pássaro não tem modéstia no coração, nem decência na atitude, minha filha nunca se casará com esse poço de vaidade."
Assim o rei casou sua filha com um jovem pato, seu sobrinho que era modesto e discreto e o pavão fugiu envergonhado. 

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O CÉU E O INFERNO - conto





O CÉU E O INFERNO

BUDISMO - Psicologia do Autoconhecimento
Georges da Silva e Rita Homenko
Editora Pensamento
página 238.

Uma vez um famoso militar perguntou ao Mestre Hakuim:
- Diga-me existe mesmo um céu e um inferno?
- Quem és tu? - perguntou Hakuim
- Sou um soldado da guarda pessoal do grande Imperador.
- Bobagem! - disse o mestre - Que Imperador gostaria de tê-lo como soldado? Para mim aparentas um pedinte qualquer!
Ao ouvir isso, o soldado empuchou sua espada enraivecido.
- Ah! - disse o mestre Hakuim - Então tens uma espada! Acho-a muito cega para poder me decepar!
Então, o soldado, em fúria, ameaçou o mestre, que disse:
- Agora sabes a metade da resposta; agindo assim estás abrindo as portas do inferno!
Ouvindo isso, o soldado recuou, embainhou a espada e se curvou perante o mestre.
- Agora conheces a outra metade. Abres o caminho dos céus! - disse o mestre.

A XÍCARA TRANSBORDANTE - conto








A XÍCARA TRANSBORDANTE


BUDISMO - Psicologia do Autoconhecimento 
Georges da Silva e Rita Homenko
Editora Pensamento
página 239


Certa vez, o mestre Nan-in recebeu uma visita que queria saber algo sobre o Zen. Mas, em vez de ouvir, o visitante só falava sobre as suas próprias idéias.
Ouvindo-o, o mestre Nan-in resolveu servir um chá.Encheu a xícara do visitante até transbordar e continuou a derramar o chá.
Finalmente o visitante não se conteve e exclamou:
- Mestre não vês que a xícara está cheia?
- Sim - respondeu o mestre, parando de derramar e olhando para a visita lhe falou:
- És como esta xícara: estás cheio de tuas próprias idéias.
Como queres que te ensine Zen, se não me trazes uma "xícara" vazia?




domingo, 29 de setembro de 2013

OS TRÊS HOMENZINHOS NA FLORESTA - conto





OS TRÊS HOMENZINHOS NA FLORESTA
Irmãos Grimm

Havia um homem cuja mulher morrera, e uma mulher cujo marido morrera; e o homem tinha uma filha, e a mulher tinha uma filha também.

As meninas vieram a se conhecer, foram passear juntas e, mais tarde, chegaram à casa da mulher. Esta disse, então, à filha do homem:

- Escuta, dize a teu pai que eu gostaria de me casar com ele; terás, todas as manhãs, leite para te lavares e vinho para beber; minha filha porém, terá água para se lavar e água para beber.

A menina foi para casa e contou a seu pai o que a mulher havia dito.

- Que devo fazer? – disse o homem. – O casamento é uma alegria mas é, também um tormento.

Por fim, como não conseguisse tomar decisão alguma, descalçou sua bota e disse à filha:

- Pega esta bota, que tem um furo na sola, leva-a ao sótão, pendura-a no prego grande e despeja-lhe água dentro. Se ela contiver a água, decido que tomo de novo uma esposa, mas se a água escorrer, decido que não.

A menina fez como lhe fora ordenado, mas a água retraiu o furo, e a bota ficou cheia até a borda. Ela comunicou o resultado ao pai, e ele, então, subiu pessoalmente. Quando viu que a filha tinha razão, foi ter com a viúva, pediu-lhe a mão, e o casamento se realizou.

Na manhã seguinte, quando as duas meninas se levantaram, a filha do homem encontrou leite para se lavar e vinho para beber; para a filha da mulher, porém, havia água para se lavar e água para beber. Na segunda manhã, tanto a filha do homem como a filha da mulher encontraram água para se lavarem e água para beber. E, na terceira manhã, a filha do homem tinha água para se lavar e água para beber, e a filha da mulher tinha leite para se lavar e vinho para beber. E assim continuou dali por diante.

A mulher tomou ódio da enteada e, de dia para dia, não sabia mais o que fazer de pior para ela. Além disso, tinha-lhe inveja, pois a enteada era bela e graciosa, enquanto sua própria filha era feia e repugnante.

Certa vez, no inverno, quando tudo se congelara espessamente e a montanha e o vale jaziam cobertos de neve, a mulher fez um vestido de papel, chamou a menina e disse:

- Toma este vestido, veste-o e vai à floresta colher para mim um cestinho cheio de morangos. Estou ansiosa para comê-los.

- Meu bom Deus, – disse a menina – no inverno não crescem morangos, a terra está congelada, e a neve cobriu tudo! E por que devo ir com este vestido de papel? Lá fora está tão frio que chega a gelar o hálito. O vento passará através do vestido, e os espinhos o arrancarão do meu corpo.

- Ousas contradizer-me? – retrucou a madrasta. – Trata de ir e não me apareças antes de teres o cestinho cheio de morangos.

Deu-lhe ainda um pedacinho de pão duro e disse:

- Com isto, terás o que comer durante o dia.

E pensou: "Lá fora, acabará enregelando-se e morrendo de fome, e nunca mais aparecerá diante dos meus olhos."

A menina, então, obedeceu, pôs o vestido de papel e saiu com o cestinho. Por toda parte, não havia outra coisa a não ser neve, e não se enxergava um só talinho verde. Chegando à floresta, ela viu uma casinha onde três homenzinhos espiavam pela janela. Ela desejou-lhes bom-dia e bateu discretamente a porta. Eles chamaram-na para dentro, e ela entrou na salinha e sentou-se num banco junto ao fogão; queria aquecer-se e comer sua refeição. Os homenzinhos disseram:

- Dá-nos também um pouquinho!

- Com todo o prazer – respondeu ela, e partiu em dois seu pedacinho de pão, dando-lhes a metade.

Eles perguntaram:

- Que queres aqui na floresta, em pleno inverno, com esse vestidinho tão fino?

- Ah, – respondeu ela – preciso procurar morangos para encher este cestinho, e não posso voltar para casa sem levá-los comigo.

Tendo ela acabado de comer seu pão, eles deram-lhe uma vassoura, dizendo:

- Tira com ela a neve da porta dos fundos.

Enquanto ela estava lá fora, os homenzinhos puseram-se a conversar entre si:

- Que lhe devemos dar de presente por ser tão gentil e bondosa, e por ter repartido seu pão conosco?

Então, o primeiro disse:

- O meu presente é que ela se torne cada dia mais bela.

E disse o segundo:

- O meu presente é que lhe caia da boca uma moeda de ouro, sempre que pronunciar uma palavra.

E o terceiro disse:

- O meu presente é que venha um rei e a tome por esposa.

A menina fez como os homenzinhos lhe haviam mandado, tirou com a vassoura a neve que havia atrás da casa, e o que pensais que ela encontrou? Uma grande quantidade de morangos maduros, bem encarnados, que surgiam por entre a neve. Cheia de alegria, apressou-se em apanhá-los e encher seu cestinho, agradeceu aos homenzinhos, apertando a mão de cada um, e correu para casa, pois queria levar à madrasta o que ela lhe exigira. Quando entrou e disse "Boa-noite!," imediatamente caiu de sua boca uma moeda de ouro. Contou, então, o que lhe havia sucedido na floresta e, a cada palavra que pronunciava, caíam-lhe da boca moedas de ouro, de modo que logo toda a sala se cobria delas.

- Olha só que leviandade – exclamou a filha da madrasta – jogar dinheiro dessa maneira!

No intimo, porém, estava com inveja da irmã e também queria ir até a floresta procurar morangos e falou de sua intenção à mãe, que disse à filha:

- Não, minha querida filhinha, está frio demais e poderias ficar enregelada.

Como, no entanto, ela não lhe desse mais sossego, acabou consentindo. Fez-lhe um magnífico casaco de pele, que ela vestiu, e deu-lhe pão com manteiga e bolo para comer no caminho.

A menina entrou na floresta e foi direto à pequena casinha. Os três homenzinhos lá estavam de novo espiando pela janela; ela, porém, não os cumprimentou e, sem ao menos voltar o olhar para eles, entrou pela sala adentro, sentou-se ao fogão e começou a comer seu pão com manteiga e seu bolo.

- Dá-nos também um pouquinho! – exclamaram os homenzinhos.

Ela, porém, respondeu:

- Mal chega para mim, como posso dar aos outros?

Quando acabou de comer, disseram eles:

- Aqui tens uma vassoura. Vai lá fora, varre com ela diante da porta dos fundos e deixa tudo limpo.

- Ora, varrei vós mesmos! – respondeu ela – Eu não sou vossa criada.

E, vendo que eles não lhe queriam dar nada de presente, saiu pela porta afora.

- Que lhe devemos dar por ser tão descortês e malcriada, e por ter um coração mal e invejoso, e por não repartir nada com ninguém? Eles se perguntaram.

Disse o primeiro:

- O meu presente é que ela se torne cada dia mais feia.

E disse o segundo:

-O meu presente é que lhe salte da boca um sapo, a cada palavra que pronunciar.

E disse o terceiro:

- O meu presente é que morra de morte horrível.

Lá fora, a menina procurou morangos. Como não achou nenhum, foi para casa aborrecida. E, quando abriu a boca, querendo contar à mãe o que lhe sucedera na floresta, a cada palavra que proferia, saltava-lhe da boca um sapo, de modo que todos tomaram aversão por ela.

A madrasta, então, zangou-se mais ainda e só pensava na maneira de causar todo tipo de sofrimento à enteada, cuja beleza aumentava de dia para dia. Por fim, pegou um caldeirão, pôs no fogo e ferveu fios dentro dele. Depois de fervidos, pendurou-os nos ombros da pobre menina e lhe deu um machado, mandando-lhe que fosse até o rio congelado, fizesse um buraco no gelo e enxaguasse os fios.

Obedientemente, ela foi até lá e se pôs a dar machadadas no gelo para abrir um buraco; ainda estava ocupada nisso, quando apareceu uma suntuosa carruagem, dentro da qual estava um jovem rei. A carruagem se deteve, e o rei perguntou:

- Minha pequena, quem és tu e que fazes aí?

- Sou uma pobre menina e enxaguo fios.

Então, o rei teve pena e, vendo que ela era tão bela, disse:

- Queres vir comigo?

- Oh, sim, de todo o coração – respondeu ela, contente de poder ficar longe das vistas da mãe e da irmã.

Assim, subiu na carruagem e foi embora com o rei. Quando chegaram ao castelo, o casamento foi festejado com grande esplendor, pois o jovem já estava apaixonado pela aquela bela moça, conforme os homenzinhos lhe haviam desejado.

Passado um ano, a jovem rainha teve um filho. A madrasta, ouvindo falar de sua grande felicidade, foi com sua filha ao castelo, sob o pretexto de fazer uma visita. Mas como, em dado momento, o rei se ausentou e não havia mais ninguém por perto, a malvada mulher agarrou a rainha pela cabeça, e sua filha agarrou-a pelos pés, tiraram-na da cama e jogaram-na pela janela, na correnteza do rio que por ali passava. Em seguida, a filha feia deitou-se na cama, e a velha cobriu-a até a cabeça. Quando rei voltou e quis falar com sua mulher, a velha disse:

- Psiu... silêncio! Agora não é possível. A rainha está suando muito. Hoje deveis deixá-la repousar.

O rei não viu maldade nisso e voltou na manhã seguinte. Quando falou com sua mulher, a cada resposta que ela lhe dava, saltava-lhe um sapo da boca, quando antes caía uma moeda de ouro. Então, ele perguntou o que era aquilo, mas a velha respondeu que era conseqüência do forte suadouro e que logo passaria.

À noite, porém, o ajudante de cozinha viu uma pata que, nadando pela sarjeta, chegou e disse:

- Ó rei, que fazes aí?

Estás a velar ou estás a dormir?

E, como ele não lhe desse resposta alguma, ela perguntou:

- E como estão minhas visitas?

Então o ajudante de cozinha respondeu:

- Profundamente adormecidas.

E ela continuou:

- Que está fazendo o meu filhinho?

E ele respondeu:

- Está dormindo em seu bercinho.

Então, retomando o aspecto de rainha, ela subiu, amamentou o filhinho, ajeitou-lhe a caminha, cobriu-o bem e, retomando a forma de uma pata, foi-se embora de novo, nadando pela sarjeta. Assim, ela veio por duas noites. Na terceira, disse ao ajudante de cozinha:

-Vai, e dize ao rei para apanhar sua espada e, na soleira da porta, brandi-la três vezes sobre mim.

O ajudante de cozinha correu a falar com o rei, que veio com a espada e a brandiu três vezes sobre o espírito; na terceira vez, estava diante dele a sua esposa, radiante, cheia de vida e saúde como antes.

O rei sentiu grande alegria, mas conservou a rainha escondida num aposento até o domingo seguinte, quando a criança deveria ser batizada. Terminada a cerimônia, ele perguntou à mulher:

- Que merece uma pessoa que arranca outra da cama e a atira ao rio?

- Nada melhor – respondeu a velha – do que meter a malvada num barril crivado de pregos e rodá-lo montanha abaixo para dentro d'água.

O rei, então, disse:

- Proferiste tua própria sentença.

E mandou buscar um barril assim, e mandou meter dentro dele a velha com sua filha; e o fundo do barril foi pregado, e o barril foi posto a rolar montanha abaixo, até que rodou para dentro do rio.

RIP VAN WINKLE - conto




RIP VAN WINKLE 
Washington Irving


Um fazendeiro chamado Rip Van Winkle tinha um cachorro chamado Lobo, não gostava de trabalhar e vivia no bar. Um dia, para não ouvir mais as reclamações da sua esposa resolveu ir às montanhas, passou lá o dia todo com seu cachorro. Ao anoitecer, quando pensava em voltar, ele viu um anão subindo a montanha carregando um barril. Rip ofereceu ajuda ao homenzinho e subiu com o barril nas costas para ajudá-lo, até um local onde havia vários outros anões jogando e conversando animadamente, Rip sentiu-se muito bem naquele lugar rodeado de alegres personagens e animado começou a beber e se divertir até adormecer embaixo de uma árvore. 
Rip dormiu durante muito tempo e após acordar, procurou sua arma, mas esta estava tão enferrujada que se desfez nas suas mãos. Lembrou que já estava muito tempo fora de casa e desceu a montanha de volta à cidade. Ele vai até a sua casa e a encontra toda destruída, resolve ir então até o bar que sempre frequentava, entra e procura os amigos, mas não encontra ninguém mais conhecido, descobre ainda que houve uma guerra e que muitos morreram. 
Ao perguntar sobre si mesmo, é apresentado a um jovem, muito semelhante a ele mesmo, que é o jovem Rip, filho de um homem chamado Rip van Winkle, que vivia naquela cidade e que fora visto pela última vez subindo uma montanha e nunca mais havia voltado, a vinte anos atrás.
Rip percebe então que havia dormido por muito e muito tempo. Ele volta então para casa de sua filha e olhando no espelho percebe como havia envelhecido: seus cabelos ficaram grisalhos, sua pele enrugara e sua barba cresceu e ficou totalmente branca, ele estava muito velho, haviam se passado 20 anos e ele dormiu por todo esse tempo, agora brinca com as crianças e conta sua história a todos que encontra.


terça-feira, 17 de setembro de 2013

O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS - Manoel de Barros (conto)






O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS
Manoel de Barros
in, Memórias Inventadas (IX)
Editora Planeta
São Paulo, 2003

USO PALAVRAS PARA COMPOR OS MEUS SILÊNCIOS.
NÃO GOSTO DAS PALAVRAS FATIGADAS DE INFORMAR.
DOU MAIS RESPEITO ÀS QUE VIVEM DE BARRIGA NO CHÃO TIPO ÁGUA, PEDRA, SAPO.
ENTENDO BEM O SOTAQUE DAS ÁGUAS.
DOU RESPEITO ÀS COISAS DESIMPORTANTES E AOS SERES DESIMPORTANTES.
PREZO INSETOS MAIS QUE AVIÕES.
PREZO A VELOCIDADE DAS TARTARUGAS MAIS QUE A DOS MÍSSEIS.
TENHO EM MIM ESSE ATRASO DE NASCENÇA.
EU FUI APARELHADO PARA GOSTAR DE PASSARINHOS.
TENHO ABUNDÂNCIA DE SER FELIZ POR ISSO.
MEU QUINTAL É MAIOR DO QUE O MUNDO.
SOU UM APANHADOR DE DESPERDÍCIOS: AMO OS RESTOS COMO AS BOAS MOSCAS.
QUERIA QUE A MINHA VOZ TIVESSE UM FORMATO DE CANTO. 
PORQUE EU NÃO SOU DA INFORMÁTICA: EU SOU DA INVENCIONÁTICA.
SÓ USO A PALAVRA PARA COMPOR OS MEUS SILÊNCIOS.

CABELUDINHO - Manoel de Barros (conto)








CABELUDINHO
Manoel de Barros
in, Memórias Inventadas (VIII)
Editora Planeta
São Paulo, 2003.

Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos amigos: - "Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu". Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me fantasiava de ateu.
Como quem dissesse no Carnaval: - "Aquele menino está fantasiado de palhaço!" Minha avó entendia de regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo mundo riu. Porque aquela preposição deslocada podia fazer de ima informação um chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza das palavras é uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra feita, no meio da pelada um menino gritou: - "Desilimina esse, Cabeludinho" Eu não desiliminei ninguém. Mas aquele verbo novo trouxe um perfume de poesia à nossa quadra. Aprendi nessas férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não pode mudar de lugar. aprendi a gostar mais das palavras pelo que elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um vaqueiro a cantar com saudade: - "Ai morena, não me escreve, que eu não sei a ler". Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, ampliava a solidão do vaqueiro.

FRASEADOR - Manoel de Barros (conto)






FRASEADOR
Manoel de Barros
in, Memórias Inventadas (VII)
Editora Planeta
São Paulo, 2003


Hoje eu completei oitenta e cinco anos. O poeta nasceu de treze. Naquela ocasião escrevi uma carta aos meus pais, que moravam na fazenda, contando que já decidira o que queria ser no meu futuro. Que eu não queria ser doutor. Nem doutor de curar, nem doutor de fazer casas, nem doutor de medir terras. Que eu queria ser fraseador.
Meu pai ficou meio vago depois de ler a carta. Minha mãe inclinou a cabeça. Eu queria ser fraseador e não doutor. Então, o meu irmão insistiu: - "Mas se fraseador não bota alimento em casa, nós temos de botar uma enxada na mão desse menino prá ele deixar de variar".
A mãe baixou a cabeça um pouco mais. O pai continuou meio vago. Mas não botou enxada.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

BRINCADEIRAS - Manoel de Barros (conto)

BRINCADEIRAS
Manoel de Barros
in, Memórias Inventadas (X)
Editora Planeta
São Paulo, 2003


NO QUINTAL A GENTE GOSTAVA DE BRINCAR COM PALAVRAS MAIS DO QUE DE BICICLETA.
PRINCIPALMENTE PORQUE NINGUÉM POSSUÍA BICICLETA.
A GENTE BRINCAVA DE PALAVRAS DESCOMPARADAS.
TIPO ASSIM:
O CÉU TEM TRÊS LETRAS.
O SOL TEM TRÊS LETRAS.
O INSETO É MAIOR.
O QUE PARECIA UM DESPROPÓSITO. PARA NÓS NÃO ERA UM DESPROPÓSITO.
PORQUE O INSETO TEM SEIS LETRAS E O SOL SÓ TEM TRÊS.
LOGO O INSETO É MAIOR. (AQUI ENTRAVA A LÓGICA?)
MEU IRMÃO QUE ERA ESTUDADO FALOU QUE LÓGICA QUÊ NADA, ISSO É UM SOFISMA.
A GENTE BOIOU NO SOFISMA. ELE DISSE QUE SOFISMA É RISCO N'ÁGUA.
ENTENDEMOS TUDO.
DEPOIS CIPRIANO FALOU:
MAIS ALTO QUE EU SÓ DEUS E OS PASSARINHOS.
A DÚVIDA ERA SABER SE DEUS TAMBÉM AVOAVA. OU SE ELE ESTÁ EM TODA A PARTE COMO A MÃE ENSINAVA.
CIPRIANO ERA UM INDIOZINHO GUATÓ QUE APARECIA NO QUINTAL, NOSSO AMIGO.
ELE OBEDECIA A DESORDEM.
NISSO APARECEU MEU AVÔ. ELE ESTAVA DIFERENTE E ATÉ JOVIAL.
CONTOU-NOS QUE TINHA TROCADO O OCASO DELE POR DUAS ANDORINHAS.
A GENTE FICOU ADMIRADO DAQUELA TROCA. MAS NÃO CHEGAMOS A VER AS ANDORINHAS.
OUTRO DIA A GENTE DESTAMPAMOS A CABEÇA DO CIPRIANO.
LÁ DENTRO SÓ TINHA ÁRVORE, ÁRVORE, ÁRVORE...
NENHUMA IDÉIA SEQUER.
FALARAM QUE ELE TINHA PREDOMINÂNCIAS VEGETAIS DO QUE PLATÔNICAS.
ISSO ERA.


O LAVADOR DE PEDRA - Manoel de Barros (conto)







O LAVADOR DE PEDRA
Manoel de Barros
in, Memórias Inventadas (VI)
Editora Planeta
São Paulo, 2003

A GENTE MORAVA NO PATRIMÔNIO DE PEDRA LISA.
PEDRA LISA ERA UM ARRUADO DE 13 CASAS E O RIO POR DETRÁS.
PELO ARRUADO PASSAVAM COMITIVAS DE BOIADEIROS E MUITOS ANDARILHOS.
MEU AVÔ BOTOU UMA VENDA NO ARRUADO. VENDIA TOUCINHO, FREIOS, ARROZ, RAPADURA E TAIS. OS MANTIMENTOS QUE OS BOIADEIROS COMPRAVAM DE PASSAGEM. ATRÁS DA VENDA ESTAVA O RIO. E UMA PEDRA QUE AFLORAVA NO MEIO DO RIO. MEU AVÔ, DE TARDEZINHA, IA LAVAR A PEDRA ONDE AS GARÇAS POUSAVAM E CACARAVAM. NA PEDRA NÃO CRESCIA NEM MUSGO. PORQUE O CUSPE DAS GARÇAS TEM UM ÁCIDO QUE MATA NO NASCEDOURO QUALQUER ESPÉCIE DE PLANTA.
MEU AVÔ GANHOU O DESNOME DE LAVADOR DE PEDRA. PORQUE TODA TARDE ELE IA LAVAR AQUELA PEDRA. A VENDA FICOU NO TEMPO ABANDONADA. QUE NEM UMA CAMA FICASSE ABANDONADA.
É QUE OS BOIADEIROS AGORA FAZIAM ATALHOS POR OUTRAS ESTRADAS.
A VENDA FICOU POR ISSO NO ABANDONO DE MORRER. PELO ARRUADO SÓ PASSAVAM AGORA OS ANDARILHOS. E OS ANDARILHOS PARAVAM SEMPRE PARA UMA PROSA COM MEU AVÔ. E PARA DIVIDIR A VIANDA QUE A MÃE MANDAVA PARA ELE. 
AGORA O AVÔ MORAVA NA PORTA DA VENDA, DEBAIXO DE UM PÉ DE JATOBÁ.
DALI ELE VIA OS MENINOS RODANDO ARCOS DE BARRIL AO MODO QUE BICICLETA. 
VIA OS MENINOS EM CAVALO-DE-PAU CORRENDO AO MODO QUE MONTADOS EM EMA. VIA OS MENINOS QUE JOGAVAM BOLA DE MEIA AO MODO QUE DE COURO.
E CORRIAM VELOZES PELO ARRUADO AO MODO QUE TIVESSEM COMIDO CANELA DE CACHORRO.
TUDO ISSO MAIS OS PASSARINHOS E OS ANDARILHOS ERA A PAISAGEM DO MEU AVÔ.
CHEGOU QUE ELE DISSE UMA VEZ: OS ANDARILHOS, AS CRIANÇAS E OS PASSARINHOS TÊM O DOM DE SER POESIA. 
DOM DE SER POESIA É MUITO BOM!




quarta-feira, 11 de setembro de 2013

ANDAR/FALAR/PENSAR - Desenvolvimento Infantil Primeiro Setênio





Desenvolvimento Infantil (primeiros sete anos) - ANDAR/FALAR/PENSAR 

Observando a criança pequena, não devemos esquecer que muitos fenômenos ocorrem e outros muitos já ocorreram neste organismo e que várias influências já o permearam; é preciso saber “ler” nesta criança aquilo que já se passou e o que, frente a sua individualidade, se apresenta diante de nós, desse modo poderemos tentar auxiliar para que ela obtenha a maior expressão de sua potencialidade, interferindo e ajudando, naquilo que for possível e pertinente, em seu desenvolvimento bio-psíquico-social.
Ao completar 21 anos de idade o indivíduo passou por três fases de sete anos completamente distintas entre si; poderemos entender melhor o que se passa tanto em sua parte física, assim como em seu desenvolvimento integral, não apenas focando cada fase, mas observando o que um setênio determina e predispõe ao seguinte.
Os primeiros sete anos de vida da criança serão na verdade, decisivos em vários aspectos que se apresentarão a seguir e que, certamente, irão revelar muitas características a serem observadas no futuro, se observarmos atentamente para algumas características.
A criança quando nasce experimenta nos seus primeiros anos de vida três grandes conquistas que irão impregná-la exercendo uma influência decisiva no que virá a seguir. Ao vencer as forças da gravidade, ficando de pé sem apoio e ensaiando seus primeiros passos a criança conquista a independência do seu ANDAR, desse modo, procura encontrar a sua própria direção espacial no mundo e dessa forma engajar o seu próprio organismo no ambiente que a cerca, ou seja, quando por seu próprio esforço ela mesma adquirir a posição vertical iniciando a marcha, conseguindo então coordenar seus movimentos cada vez mais firmes e determinados, poderá adquirir com mais segurança a próxima conquista que surge com a FALA, porque todo o matizado da fala é devido a sua organização motora, pois a vida se manifesta primeiramente em gestos e depois este gestual transforma-se interiormente no elemento motor da fala e é fácil se observar a dificuldade na fala em uma criança que tropeça comparada àquela que caminha firme, em outras palavras, o falar desenvolve-se a partir de uma orientação no espaço e em consequência direta disso temos a seguir o desenvolvimento do PENSAMENTO, que atinge o seu ápice quando estas outras atividades anteriores foram corretamente desenvolvidas e estimuladas; então naquelas crianças em que ao aprenderem as primeiras palavras, ouvem o adulto falar de maneira infantil e inapropriada, através da imitação irão desenvolver também um pensar totalmente errado, porque através da clareza da fala o desenvolvimento do pensamento pode também se tornar claro, pois a criança é toda ela um órgão sensorial e como tal reproduz interiormente no organismo físico, portanto, um andar seguro e firme auxilia em uma fala não vacilante e, em consequência disso, a capacidade de extrair dessa fala um pensamento correto.
Portanto, a Antroposofia chama a atenção para conduzir de maneira adequada e amorosa a criança no seu aprendizado do andar, também ficar atento e cuidar da veracidade no aprendizado da fala e observar a clareza durante o aprendizado do pensamento que essa criança começa a demonstrar. Essas situações que acontecem quase que simultaneamente durante os três primeiros anos de vida, são facilmente observáveis, principalmente por aqueles que se encontram fora do núcleo familiar.
A criança pequena que é muito cerceada em seus movimentos, ou porque fica muito no colo ou por frequentar somente carrinhos e andadores, tem sua motricidade limitada e restringida o que, certamente, irá dificultar a aquisição de sua expressão motora para se comunicar com o mundo, por sua vez os adultos que se utilizam de expressões inapropriadas e palavras sem sentido, acreditando que desse modo se farão entender pelas crianças, estimulam inapropriadamente essas crianças para que elas imitem esse mesmo equívoco no momento que a criança forma o pensamento através do reconhecimento de algo que foi denominado errado. Muitos pais insistem em falar errado com seus filhos porque acham que desse modo se farão entender por eles, inconscientemente também existe a compensação narcísica de que assim podem persistir no papel de eternos tradutores de seus filhos com o mundo. Os três primeiros anos de vida e em consequência os demais até o sétimo, são de suma importância para o desenvolvimento integral do homem e muito dos problemas que surgem nessa fase irão, certamente se manifestar mais tarde, pois tudo que nessa fase é de natureza emocional e está presente no meio ambiente em que vive a criança irá mais tarde manifestar-se fisicamente neste indivíduo ocasionando grandes consequências que poderiam ser evitadas.
Dr. José Carlos Neves Machado - médico escolar


leia mais:
 ANDAR, FALAR, PENSAR - Rudolf Steiner - Editora Antroposófica.
 O MISTÉRIO DOS TEMPERAMENTOS - Rudolf Steiner - Editora Antroposófica. http://casaderafael.blogspot.com.br














  

CRIANÇA DE CABEÇA GRANDE

CONSTITUIÇÃO INFANTIL:
A CRIANÇA DE CABEÇA GRANDE


PREPONDERÂNCIA DA CABEÇA EM RELAÇÃO AO CORPO COM MEMBROS PEQUENOS.
INSUFICIENTE PROCESSO SALINO.
INSUFICIENTE IRRIGAÇÃO SANGUÍNEA NAS EXTREMIDADES.
LATENTE ESTRABISMO DIVERGENTE.
CONCENTRAM-SE COM FACILIDADE.
"REPOUSAM" EM SI-MESMAS.
INTROVERTIDAS.
FORÇAS IMAGINATIVAS INTENSAS.
VIDA SENTIMENTAL CALOROSA.
PAIXÕES ILUSÓRIAS E DESCONTROLADAS.
SONHADORAS.
PERDEM-SE EM ILUSÕES.
PENSAMENTO ANALÍTICO FRACO.
DIFICULDADE EM DISTINGUIR OS FATOS.
POUCO OBJETIVAS.
MUITAS VEZES SUPERFICIAIS, EM SUAS DESCRIÇÕES.
CAPACIDADE DE CONSTRUIR IMAGENS.
DOTES ARTÍSTICOS DESENVOLVIDOS.
RENDIMENTO EM ARITMÉTICA E GRAMÁTICA GERALMENTE É FRACO.
PREFERÊNCIA PELO SAL.
O SALGADO NÃO É SUFICIENTEMENTE ELABORADO.
OFERECER RAÍZES E ALIMENTOS MODERADAMENTE SALGADOS.
PROCESSO DE ENVELHECIMENTO ENCONTRA-SE ATRASADO.
O EU E O CORPO ASTRAL SÃO DESVIADOS PELA ORGANIZAÇÃO NEUROSSENSORIAL.
LAVAR A CABEÇA PELA MANHÃ COM ÁGUA FRIA.
CONTOS DE FADA EM CAPÍTULOS, RESUMIR O QUE JÁ FOI CONTADO ANTES.
TENDÊNCIA PARA OS TEMPERAMENTOS: FLEUMÁTICO/SANGUÍNEO.
TERAPÊUTICA: FRIO/SAL/CHUMBO
EXCESSO - HIDROCEFALIA


CRIANÇA DE CABEÇA PEQUENA

 CONSTITUIÇÃO INFANTIL: 
A CRIANÇA DE CABEÇA PEQUENA


CABEÇA PEQUENA EM RELAÇÃO AO PRÓPRIO CORPO.
EXISTE UMA PREPONDERÂNCIA DOS MEMBROS.
POLO CEFÁLICO É FIRME, SÓLIDO, DENSO E SECO.
CRIANÇAS MAIS RESSECADAS.
PALIDEZ CUTÂNEO MUCOSA.
PRECOCIDADE INFANTIL.
APARÊNCIA DE CRIANÇAS MAIS VELHAS.
ANSIEDADE.
TENDÊNCIA A ESTRABISMO CONVERGENTE.
DIFICULDADE PARA CONCENTRAÇÃO.
TENDÊNCIA A "CISMAR" 
TEIMOSOS.
INQUIETOS.
DISTRAÇÃO POR IMPRESSÕES SENSORIAIS.
IRRITAÇÃO PELO MUNDO QUE ESTÁ À SUA VOLTA.
POUCA IMAGINAÇÃO.
POBREZA NA VOCAÇÃO ARTÍSTICA (DESENHOS POUCO DESENVOLVIDOS).
IMAGINAÇÃO ANALÍTICA EMPOBRECIDA.
OBJETIVOS, SINTÉTICOS.
METABOLISMO INSUFICIENTEMENTE CONTROLADO PELO EU E PELO CORPO ASTRAL.
INSUFICIENTE NUTRIÇÃO CÓSMICA.
FORÇAS HEREDITÁRIAS MAIS INTENSAS QUE AS FORÇAS INDIVIDUAIS.
PREFEREM AÇÚCAR (EVITAR DOCES E BALAS).
COMPRESSAS QUENTES NO ABDOME À NOITE.
OFERECER: FRUTAS DOCES, FIGOS, TÂMARAS, DAMASCO, MEL 
TRATAMENTO - CALOR/PRATA/AÇÚCAR.
CONTOS DE FADAS À NOITE.
TENDÊNCIA PARA O MELANCÓLICO/COLÉRICO.
EXCESSO - MICROCEFALIA.





quinta-feira, 5 de setembro de 2013

A VAQUINHA MAGRA (conto)





A VAQUINHA MAGRA
(conto)

Um monge viajava com seu discípulo pelo interior do país já haviam andado muito tempo e estavam muito cansados precisando repousar e comer alguma coisa quando avistaram um povoado muito pobre, com casebres miseráveis e pessoas que andavam nas ruas sujas, vestidas como mendigos. Esgotados como estavam, resolveram arriscar e pedir um pouco de comida e abrigo para descansarem até a manhã seguinte e prosseguir sua jornada.
Foram recebidos com muita devoção e hospitalidade pelos habitantes que dividiram com os viajantes o muito pouco que tinham a oferecer. Após se alimentarem com pão duro e um pouco de leite, o monge perguntou aos habitantes:
- Como conseguem viver aqui tão distantes e com tão poucos recursos, como fazem para sobreviver?
E as pessoas lhe explicaram que o muito pouco que dispunham era proveniente de uma única vaca que mesmo magra lhes fornecia ainda um pouco de leite e era disso e também de umas poucas verduras que plantavam e da colheita de arroz que sobreviviam, utilizando, inclusive as fezes do animal para adubar a terra árida que dispunham para plantar e assim resumiu o ancião mais velho da cidade:
- Essa vaquinha, mesmo em pele e osso é a nossa única fonte de sustento, dependemos dela para tudo! Sem ela não sobreviveríamos! – falou o homem.
O monge agradeceu a hospitalidade e se despediu de todos desejando-lhes sorte, continuando seu caminho com o discípulo; ao se afastarem da cidade, o monge ordenou ao discípulo:
- Volte até à cidade e mate aquela vaquinha!
- Mas como assim mestre? – perguntou o discípulo muito espantado 
– Aquele animal é a única fonte de sobrevivência daquela gente, se matá-la, como eles irão fazer?
- Isso não importa, apenas faça o que estou te dizendo! – o mestre falou.
E o discípulo obediente, voltou e fez o que o mestre havia mandado.
E continuaram sua jornada, depois de um ano de peregrinação, voltaram novamente pelos mesmos caminhos e foram dar naquela cidade que visitaram antes, mas tiveram dificuldade em reconhecê-la, no lugar dos casebres agora podia se ver casas bonitas e edifícios bem construídos, as pessoas nas ruas não andavam em andrajos como antes, mas com roupas vistosas e coloridas, os campos desertos que tinham visto da primeira vez deram lugar à muitas plantações e animais pastavam em grandes rebanhos. O mestre observou tudo e como da outra vez pediu hospedagem e abrigo para passarem a noite e novamente foram muito bem acolhidos; no entanto, dessa vez foram oferecidas comidas quentes, sopas e assados, frutas frescas e vários tipos de pães e doces, após se alimentarem e terem descansado da viagem o mestre perguntou aquela gente:
- Vejo que prosperaram muito desde a minha última visita, o que fizeram para transformar um lugar miserável em algo tão próspero?
Então lhe responderam:
- Ah Mestre! Depois de sua última visita, uma fatalidade se abateu sobre nós, a nossa única fonte de sustento, a nossa vaquinha que mesmo magrinha nos ajudava a sobreviver, foi morta e então precisamos continuar vivendo e saímos procurando por outras possibilidades e para não morrermos, conseguimos chegar até aqui.